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Muitas
histórias engraçadas aconteceram
durante os trabalhos de retirada das
mudas de Pau D’água. Uma delas
aconteceu em Pomerode. Encontramos um
tronco especialmente bonito, grosso e
ramificado. Estes troncos geravam as
mudas mais bem pagas e muito
procuradas. A proprietária, Oma Roedl,
uma senhora de idade avançada
evidentemente não poderia fazer o
serviço de corte da muda, por isto eu
me encarreguei desta tarefa. Era verão
e fazia muito calor. Eu estava suando
muito e sem camisa. Quando o tronco
caiu no meio das folhagens um enxame
de vespas levantou vôo e eu levei
muitas picadas nas costas. A minha
sorte é que não sou alérgico contra
o veneno que as vespas tem em seu ferrão,
mas tenho certeza que naquela ocasião
recebi uma forte imunização contra
reumatismo. Apesar deste incidente, o
tronco foi triunfalmente carregado na
Kombi e transformou-se em belas mudas.
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Aconteceram
outras febres como a das Sansevieras,
conhecidas como Espadas de São Jorge
que segundo a crendice popular eram
infalíveis contra o Mau Olhado. Vendi
também muitas mudas desta espécie,
porém existia uma grande dificuldade
de adaptação desta espécie ao clima
da serra.
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A
maior febre que eu vi foi a das
Seringueiras. Não se tratava da
verdadeira Seringueira (Hevea
Brasiliensis), mas de uma Ficus Elástica
(o Gummibaum) que nossos avós
europeus cultivavam na sala junto ao
bouquet de flores secas (Makartstrauss).
Todos queriam mudas desta espécie.
Justamente nesta época uma sobrinha
de Gretel convidou-nos para o seu
casamento no Rio de Janeiro.
Resolvemos aceitar o convite e
resolvemos que iríamos de ônibus,
pois achávamos que não valeria a
pena uma viagem como esta em nossa
Kombi. O fato que nos fez decidir
desta forma é que não tinha nenhuma
carga para a volta. No Rio ficamos
hospedados na casa do sogro do
primeiro casamento de Gretel que
acolheu-nos com prazer. Tratava-se de
um senhor de idade avançada que
morava em uma confortável casa no
Posto 6 - Rua Joaquim Nabuco e que
aproveitou a nossa estada no Rio para
conversar animadamente sobre os mais
diversos assuntos. O casamento era um
acontecimento social, na igreja a mãe
da noiva é que tocava o órgão e na
festa lembro-me da mesa muito bem
posta. Um médico quebrou um copo de
cristal, onde era servido o vinho
branco. Fiquei muito contente por este
incidente ter acontecido com o médico
que não sofreu qualquer censura. Não
sei o que aconteceria se isto tivesse
acontecido comigo. Depois do casamento
fui fazer o que melhor sabia, isto é,
procurar plantas que pudessem ser
adaptadas em Nova Petrópolis. Andando
pela cidade tinha muitas opções de
decorações, ajardinamentos, vasos e
isto significava que existiam ali
diversos jardineiros. Nossa sobrinha
levou-me até um afamado jardineiro
alemão, porém ele não dispunha de
tempo para me atender. Um empregado
dele mostrou que bem perto dali
existia uma pequena Floricultura.
Nesta pequena Floricultura conheci um
jardineiro português, o Sr. Antônio
de Almeida. Ele costumava contar que
desembarcou no Rio com um par de calças,
uma camisa e um par de alpargatas home
made. Veio de Portugal para ficar,
certamente, na casa de algum parente
que morava no Rio. Depois de muitos
anos de trabalho o Sr. Antônio
cuidava junto de seu sócio de uma
Floricultura de bom porte. A
Floricultura estava situada em um
terreno da Light que é a companhia elétrica
que atende a cidade. As torres de alta
tensão condiziam os fios até grandes
transformadores e nos terrenos sobre
os quais os fios passavam existiam
invasões de favelas e também da
Floricultura do Sr. Antônio que optou
por este local para poder ficar próximo
do centro da cidade. O sócio do Sr.
Antônio faleceu mais tarde vitimado
por uma descarga elétrica quando
cortava alguns galhos que ameaçavam
aproximar-se dos fios. Conversando com
este jardineiro perguntei-lhe sobre a
possibilidade de conseguir mudas de
Ficus e ele mostrou-me um lote que
ainda não tinham nem enraizado. O
enraizamento na cidade do Rio era rápido
e em três semanas eu poderia carregar
um lote. Encomendei 150 mudas, algumas
delas já plantadas em latas. Trouxe
uma mudinha bem pequena como amostra
dentro do ônibus e esta foi a
primeira de algumas centenas de mudas
que busquei junto ao bom amigo Antônio,
que me chamava pela alcunha de Alemão.
Durante diversos anos viajei três ou
quatro vezes em cada verão para o Rio
levando na ida vasos de xaxim
fabricados na cidade de Santa Cecília
em Santa Catarina por uma família de
ucranianos e razendo Ficus e outras
plantas para vender aqui. Sempre viajávamos
em dupla para podermos viajar direto
sem parar para dormir e assim a viagem
levava aproximadamente entre 25 e 30
horas. Meus parceiros eram o filho
Jurij, ou o cunhado Helmuth, ou o bom
amigo Fromund, mas na maior parte das
vezes o cunhado Erwin viajava comigo.
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