Em Caxias do Sul, no Ginásio dos Irmãos Maristas o professor de biologia havia transformado uma sala em estufa para cultivo de plantas. Sempre que podia visitava-o, pois ele era uma pessoa muito amável. Conversávamos sobre plantas, novidades que conseguíamos para cultivar e sobre as variedades que já cultivávamos. Parece estranho para os tempos atuais, mas naquela época Porto Alegre ficava muito longe e de São Paulo quase nada chegava até nosso conhecimento. Esta distância dificultava muito o desenvolvimento de um intercâmbio que poderia facilitar nosso trabalho. Por este motivo o senso de colaboração entre os jardineiros aqui do sul fazia com que trocassem entre si as novidades e as informações. O professor do Ginásio Marista presenteou-me com mudas, com brotos e principalmente com várias folhas de Begônias Rex que serviram como matrizes.

Já em 1958 a minha esposa Ursula iniciou a produção de Iogurte que era um produto totalmente desconhecido. Acumulando os trabalhos de fabricação de Iogurte, cultivo de Plantas Ornamentais, cultivo de Verduras e ainda trabalhando na fábrica conseguimos progredir financeiramente. As cargas que agora eram de verduras, plantas ornamentais e iogurte ficaram pesadas demais mesmo para nossas duas bicicletas. Por este motivo compramos uma Lambreta com reboque, o que era também uma novidade e nos dava condições de atender aos bares, armazéns e clientes particulares com nossas mercadorias.

Em 1959 minha esposa sofreu um acidente com a Lambreta e veio a falecer. Esta história estará contada com mais detalhes mais adiante.

Depois do sepultamento fui para as estufas e trabalhei muito. O silêncio era tão grande que comecei a ter a sensação de que quase ouvia as plantas crescendo.

Vendi a empresa que produzia iogurte e parei de plantar verduras, pois já tinha uma pequena Floricultura. As vendas cresciam sem parar. Nos finais de semana vinham fregueses procurando por algumas espécies de plantas e fazendo encomendas. Naquela época conheci o casal Seger de Estância Velha/RS e ficamos amigos. Eles ajudaram-me muito vendendo ou presenteando mudas e às vezes levando minhas encomendas de carro para Caxias do Sul. Lembro que uma vez comprei um estoque de mudas de árvores de aproximadamente duas a três dúzias de Grevilha Robusta, Cupressus Stricta, Pinus Marítima e outras, bonitas e sadias plantadas em latas. Tive grande dificuldade em vendê-las pois os italianos não tinham ainda o hábito de reflorestar ou mesmo de plantar árvores no terreno de casa. A Grevilha grande que está ainda hoje plantada na frente do Edelweiss Café Colonial em Nova Petrópolis era uma das mudas deste lote.

Casei-me com Gretel. Esta história estarei contando com todos os detalhes em ocasião mais oportuna. Deixei o trabalho da fábrica da Gethal por ser uma obrigação e não estar fazendo com amor. Daquele momento em diante dediquei-me de corpo e alma ao trabalho para o qual nasci e no qual sentia um enorme prazer. Com a ajuda de Gretel construí a primeira estufa em Nova Petrópolis. O telhado era de uma água coberto com telhas de barro intermediadas por telhas de vidro transparentes que possibilitavam a passagem da luz solar.

 

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