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Nas
festas que ocorriam em Gramado, juntamente
com o bom amigo Marmitt (que montou uma
Floricultura após a morte do Sr. Ahner)
montávamos nossos stands fora dos pavilhões.
Tínhamos muitos fregueses e as conversas
eram sempre muito animadas. Fazíamos planos
de plantio de novos jardins e reformas dos já
plantados.
Para
possibilitar todo o desenvolvimento do
cultivo de plantas ornamentais um dos
fatores de maior importância são os
fornecedores de sementes. A grande maioria
das sementes de flores vinham da Europa onde
já existia uma longa tradição deste
cultivo. Apareceram alguns representantes no
Brasil, mas existiam limitações de
quantidades mínimas e de qualidade das
sementes. Este problema foi resolvido por
ocasião de uma viagem para a Europa quando
pude conversar pessoalmente com o fornecedor
das sementes e explicar-lhe que as
quantidades de que necessitamos são menores
que as suas quantidades mínimas de pedido e
que a sua qualidade de sementes é o que
esperamos. Contando com o bom senso deste
fornecedor resolvi este problema que nos
dificultava a produção há algum tempo.
Como
as sementes, os veículos também foram um
problema durante muito tempo. No início era
a Lambretta com reboque. O motor era muito
fraco e a subida dos morros caxienses era
feita em zigue-zague. Depois veio o velho
Opel Olympia. Acho que tivemos mais
problemas que alegrias com este que foi
nosso primeiro carro. Uma certa ocasião
depois de ser consertado na oficina do
cunhado em Porto Alegre, na chegada em casa,
a roda da frente soltou-se e só não causou
um grave acidente pois eu estava dirigindo
bem devagar fazendo a curva da entrada para
o nosso recreio (Kinderheim). Outras vezes
ficamos empenhados na estrada. Havia chegado
o tempo de comprarmos um veículo mais
adequado e em melhores condições.
Compramos uma Kombi 1300. Um bom carro
apesar do motor muito fraco. Ela nos serviu
para todos nossos serviços durante
1.200.000 quilômetros. Foi trocada por uma
Kombi 1500. Esta era muito econômica, porém
tinha um defeito na caixa de câmbio (todas
deste modelo apresentavam este defeito).
Em
duas ocasiões compramos Kombis usadas, mas
em curto espaço de tempo tive que substituí-las
por veículos novos. O mesmo aconteceu
quando resolvi comprar uma Variant que foi
usada até que não andava mais.
Com
a crise do petróleo de 1973 e a conseqüente
alta dos preços da gasolina, começou-se a
procurar alternativas para os veículos. A
VW lançou a Kombi 1600 que consumia muito
combustível e por isto não tiveram a nossa
aceitação, mesmo sendo esteticamente muito
melhores que as anteriores. Depois veio a
Kombi Diesel. Compramos uma das primeiras. O
motor fundiu com 25.000 quilômetros e foi
substituído dentro do prazo de garantia.
Mesmo com todos os cuidados recomendados
pelo fabricante, o motor não resistia mais
de 40.000 quilômetros. Somente ficávamos
com estes veículos por causa do baixo preço
do combustível e pela pouca opção de
alternativas. Uma delas era o Jeep Toyota
que precisava ser adaptado e acabava
custando muito caro. Mesmo assim resolvi
comprar um para experimentar. Agora, levando
em consideração o tamanho da Floricultura
e o volume de carga, havia chegado a hora de
comprarmos um pequeno caminhão. Até hoje
ainda são utilizados os pequenos caminhões
da linha Mercedes nos serviços de
transportes da Floricultura.
A
aquisição das áreas de terras e terrenos
também foi gradual e sempre com muito
sacrifício. Primeiro compramos a chácara
das nozes na esperança de fartas colheitas
que nunca aconteceram. Depois os terrenos da
família Ludwig, hoje propriedade dos nossos
netos. A seguir foi comprada a chácara na
qual residimos do nosso funcionário
Guertler. Bem mais tarde surgiu, através de
um anúncio em jornal, a oportunidade de
comprarmos uma pequena área de terras na
Linha Temerária. O local tem muitos pontos
a seu favor com relação ao cultivo. É
mais quente que Nova Petrópolis, quase não
acontecem geadas, tem água (riacho) de fácil
bombeamento e hoje já tem inclusive acesso
asfaltado.
O
trabalho aumentava cada vez mais, tornando-se
impossível para mim conduzir sozinho os
negócios.
Cada vez tínhamos mais máquinas, veículos,
micro-tratores, bombas d’água, etc. Eu
também estava ficando cada dia mais velho.
Resolvi aceitar meu genro, Albino, como
sócio.
Procurava também um jardineiro para
conduzir os destinos da Floricultura no
momento em que eu não pudesse mais estar à
frente dos negócios. Coloquei diversos anúncios
em jornais do ramo na Alemanha. Recebi
algumas ofertas como a de um casal que havia
trabalhado na Arábia Saudita onde tinham
ajardinado um grande parque, mas foi impossível
devido a problemas com o departamento de
imigração a vinda deles para o Brasil.
Depois
de muito procurar, recebi a informação de
que em São Bento do Sul, no lar Filadélfia,
trabalhava um jardineiro alemão bastante
jovem. Como ele também tinha grande
interesse em conhecer uma Floricultura
brasileira fez contato comigo. Deste momento
em diante a história da Floricultura Ursula
Ltda. passou a ser escrita pelas mãos deste
jardineiro chamado Hans Hermann Hesse.
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