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Com
a produção aumentando, comecei a sentir
que faltava esterco para compor meu
substrato. Tinha a vontade de adubar com
chorume e com esta idéia fixa na cabeça
fui conhecer uma granja de criação de
galinhas. A granja pertencia ao filho de um
médico que não tinha vocação para este
tipo de negócio. Nesta granja vi uma
novidade que deixou-me entusiasmado. As
galinhas poedeiras ficavam em jaulas.
Resolvi tentar isto em pequena escala em
minha casa. Eu mesmo ergui uma construção
com telhado em meia água, pois tinha
aprendido no Brasil que tudo era possível
de ser feito com um pouco de conhecimento e
muita força de vontade. Enquanto estava
planejando as jaulas aconteceu um imprevisto.
Minha esposa Ulla (Ursula) comentou que não
tínhamos flores nem na casa nem na varanda
e pediu-me para plantar algumas. Mais uma
vez a sogra comprava as sementes, agora de
prímulas, que foram semeadas e repicadas. A
dúvida de onde colocar as caixinhas com as
mudas fez com que o nosso galinheiro fosse
rebatizado com o nome de estufa, recebendo
mesas e sistema de sombreamento que foi
feito com sacos plásticos que ganhei na fábrica.
As prímulas cresciam em vasos que foram
arranjados com muita dificuldade, pois os
vasos de barro eram ainda raros e, como
europeu, recusava-me a usar latas de óleo.
As
prímulas cresceram e floriram, trazendo-nos
grande alegria. Os amigos foram presenteados
com vasos e gostaram muito, fazendo com que
surgisse a idéia de produzir flores para
vender. Assim comecei a produção de prímulas
em maior escala. O próximo passo era
diversificar a produção, cultivando outras
espécies. Comecei com as Begônias Rex ,
encontrei em algumas casas uma espécie
antiga de grandes folhas prateadas muito
bonita por sinal. Aprendi a plantar as
folhas e logo já fazia mudinhas.
Assim
junto com a caixa de verduras tinha agora
duas sacolas, uma de cada lado do guidão da
bicicleta. As primeiras prímulas a D. Odila
rejeitou, mas depois, pensativa, pediu para
que eu deixasse para ela tentar vender. Já
no dia seguinte mandou aviso para que eu
trouxesse mais flores. Estes fatos
aconteceram em 1961 e são por mim
considerados como o início da Floricultura
Ursula Ltda. em Caxias do Sul.
Sempre
fui uma pessoa que tinha bons olhos.
Procurei em Caxias do Sul outras espécies
para cultivar, começando com Imbé, Costela
de Adão e outras. O galinheiro ficou
pequeno para abrigar toda a produção e então
eu construí um galpão com sombreamento
medindo 5 x 3 metros. No galinheiro instalei
um sistema de calefação com resistências
em abajures de metal que protegiam as mudas
das fortes geadas do inverno.
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