Mais uma viagem que ficará gravada na memória para sempre aconteceu quando eu e Gretel fomos pela primeira vez a São Bento do Sul com a nova Variant. Eu passava nos pontos de venda e reservava as mudas e a Kombi passava alguns dias mais tarde para recolher. Chovia forte, mas mesmo assim resolvemos ir, eu e Ricardo Webera, para Pirabeiraba no pé da serra. Íamos visitar a nova granja de Ricardo. O tempo estava muito feio e o nevoeiro estava fechado. Perto de Campo Alegre uma parte da pista cedeu derrubando dois ou três carros no abismo. Resolvemos, então, voltar e visitar Corupá. Na saída de São Bento tivemos um pneu furado e paramos para trocar. Ricardo achou que seria melhor voltar, pois tudo parecia que estava errado naquele dia. Parecia que ele tinha razão e furamos mais dois pneus e arrancamos o cano de descarga antes de chegarmos em Blumenau onde consertamos os estragos e compramos pneus novos e pudemos voltar em segurança para São Bento do Sul.

A floricultura Winge, dirigida pelo Sr. Edgar começou a tornar-se meu parceiro comercial. Oferecia bons descontos e comprava também minhas plantas, fazendo solidificar-se uma grande amizade que ultrapassava os limites dos negócios. Era interessante para eles manter este intercâmbio com um jardineiro da serra e para mim também era ótimo negócio.

Alguns jovens da região de Pareci começaram a ir de Kombi para São Paulo para buscar mudas. Os preços eram normalmente baixos e eles traziam grande variedade. Mesmo assim não eram um concorrente muito forte pois os clientes da serra que compravam estas mudas vindas de São Paulo normalmente as perdiam nas primeiras geadas e voltavam a comprar as suas mudas conosco por causa deste motivo.

Com a instituição do ICM apareceu um sério problema. Como sempre acontece com a chegada de uma nova lei, as informações não eram muito claras e o Fiscal (Sr. Baron) considerou as nossas plantas como produto tributado. Isto fez com que não tivesse mais nenhum lucro com o trabalho na Floricultura, tudo o que ganhava ia para pagar impostos. Este grave problema foi amenizado por soluções criadas com um pouco de jeitinho brasileiro. As mudas frutíferas eram isentas. Assim foram compradas grandes quantidades de mudas frutíferas (na realidade a grande maioria das plantas frutificam). Aproveitando a isenção das mudas de reflorestamento comercializava também mudas de Pinus, Araucárias, Acácias, Eucaliptos e outras.

Levando em conta a reduzida alíquota com que eram tributados os serviços (3%) inscrevi-me na Prefeitura Municipal fazendo um registro como paisagista. Para os clientes não importava se a Nota Fiscal era de serviços ou de mudas.

Certo dia conversando com o Sr. Edgar Winge descobri que em Porto Alegre as empresas não pagavam ICM sobre as plantas. Fui até uma repartição da receita estadual para descobrir qual era o artigo da lei que abria a possibilidade desta isenção. A pessoa que me atendeu pediu para que eu voltasse na semana seguinte para buscar o resultado desta pesquisa. Para minha surpresa na semana seguinte quando voltei a Porto Alegre para ver o resultado da minha consulta fui informado de que a pessoa que me atendera tinha entrado em férias e que por minha causa agora todos em Porto Alegre tinham que pagar ICM. A Sra. Frida Hanisch e a Sra. Bubi Schmitz reclamaram muito da minha atitude, assumindo uma postura de inimigas, mas o Sr. Edgar Winge compreendeu a situação. Cedo ou tarde isto acabaria acontecendo de qualquer forma.

 

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