A velha estrada de Macadame passava por Trombudo, Rio do Sul, Lontras e a descida para o vale do Itajaí. Como tínhamos programado, almoçamos em Trombudo. Quando chegamos a Blumenau chovia ainda muito forte. Pernoitamos na casa dos bons amigos Roedl, ambos já falecidos, e no dia seguinte fui dar uma olhada nas Araucárias que estavam encomendadas e depois fomos até a praia. A chuva forte agora tinha se transformado em chuvisqueiros. No dia seguinte recebemos a notícia de que a correnteza do rio Pelotas havia derrubado a velha ponte de madeira e esta havia batido na ponte nova de concreto, represando a água. Com toda esta pressão o cimento armado não resistiu e a ponte nova também cedeu. Com isto a BR 116 ficou interrompida, dificultando a nossa volta para casa. Restava-nos a BR 101 que passa pela beira da praia, porém esta rodovia também estava interrompida por desabamentos de encostas e em alguns locais estava alagada. Depois de esperarmos alguns dias sem que houvesse uma solução para podermos voltar para casa em segurança e com as notícias desencontradas que ficávamos sabendo, resolvemos carregar as Araucárias em Blumenau, usando estradas vicinais. O rio Itajaí já estava tão alto que somente as estradas não estavam submersas. As paisagens eram lindas entre os vales e montanhas, mas as estradas haviam sido muito castigadas pelas chuvas e estavam péssimas. Quando chegamos perto de Águas Mornas o facão da Kombi quebrou e ficamos na rua, eu, Gretel e as Araucárias. Havia sido declarado estado de calamidade pública e o exército patrulhava as estradas. Fomos socorridos por uma patrulha que me levou até uma oficina, onde o facão foi devidamente soldado e este serviço foi tão bem feito que muito mais tarde quando vendi esta Kombi ainda não havia mexido neste facão. O capitão do exército que nos socorreu levou Gretel para um hotel em Águas Mornas, perto das fontes termais. Durante a espera a dona do hotel mostrou a Gretel as fontes de águas termais e as duas usaram um sarrafo para espantar os porcos que sempre se banhavam neste local. Hoje lá existe um hotel de luxo, classificado com cinco estrelas e o sarrafinho que era usado para espantar os porcos é uma das peças do museu local. Com a Kombi consertada, chegamos já ao anoitecer em Gravatal. Conhecia muito bem esta região devido às diversas viagens para buscar mudas de Pau D’água. O hotel estava quase lotado, porém conseguimos, ainda, um quarto. Os hóspedes eram caminhoneiros que esperavam a liberação de uma passagem para o Rio Grande do Sul. Um deles, inclusive, estava carregado com uma carga de mamão que estava amadurecendo. Todos queriam que a situação fosse contornada o mais depressa possível. Depois de uma noite reconfortante, seguimos viagem de manhã. A estrada estava novamente interrompida em Osório por causa de um pequeno riacho que tinha transbordado e destruído o asfalto. Restava-nos somente a alternativa de contornar a lagoa usando uma arenosa estradinha para tentar chegar a Viamão. Andamos bem devagar para desviar dos buracos. Já ao anoitecer chegamos a um atoleiro que surgiu por causa dos pesados caminhões que passavam por ali. Atrás de nós vinha uma extensa fila de caminhões. Restavam-nos duas alternativas: seguir em frente arriscando ficar atolado; ou pernoitar ali mesmo à beira da estrada e ver os caminhões piorarem cada vez mais a passagem. Decidi tentar atravessar o atoleiro. Como já era de se esperar atolei, impedindo a passagem dos caminhoneiros. Por causa disto alguns deles entraram no lodo e empurraram a minha Kombi até o outro lado. Agradeci e parti rumo a Viamão. Dormimos na casa de minha cunhada Minna em Porto Alegre e seguimos bem cedo de manhã a viagem para casa. Ainda tivemos um pequeno problema. Perto de Morro Reuter havia caído uma barreira interrompendo a passagem. Tivemos que passar por Ivoti, Arroio Veado e Picada Café. Felizmente cruzamos a ponte sobre o rio Cadeia sem problemas e chegamos em casa aliviados.
 

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