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Certa
vez, voltando da viagem e passando por São
Bento do Sul que fica na serra catarinense
vi uma árvore com folhagem verde e branca,
porte moderado e crescendo na frente do
Hospital. A descoberta ficou catalogada
para ser visitada em uma próxima viagem,
pois já era tarde e ainda tinha uma longa
jornada pela frente até Nova Petrópolis. |
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Dias
mais tarde recebi em Nova Petrópolis a
visita de dois jardineiros que procuravam
mudas de Pinus Patula, naqueles tempos esta
espécie era ainda uma raridade.
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O
grande Pinus Patula plantado no terreno da
Pousada Reviver aqui em Nova Petrópolis foi
comprado na Fazenda Mentz em Canela. O
proprietário desta Fazenda, já falecido,
gostava muito de coníferas e cultivava várias
espécies, inclusive vendendo algumas mudas.
Com o passar do tempo cultivamos também
diversas espécies deste gênero, trocando
sempre com o Sr. Ahner de Gramado as informações
que conseguíamos descobrir e as experiências
acumuladas.
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CONHECENDO
AS CIDADES DE SANTA CATARINA:
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Em
meados de 1965 recebi esta visita de dois
jardineiros, o Sr. Nickel e o Sr. Ricardo
Webera.
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Nickel
era da antiga Colônia das Mennonitas (seita
religiosa alemã) localizada próximo de Bagé
e atualmente trabalhava em Curitiba/PR.
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O
Sr. Ricardo Webera era dono de uma
Floricultura em São Bento do Sul/SC e tinha
uma história de vida muito interessante.
Seu pai, Tcheco, provavelmente de origem
alemã (dedução tirada do sobrenome Webera-Weber),
foi prisioneiro de guerra na Rússia durante
a Primeira Guerra Mundial entre 1914 e 1918.
Combateu com a Legião Tcheca sob o comando
do General Koltschak(Exército Branco)
contra os Bolschevikes(Exército Vermelho).
Após o término da guerra muitos voltaram
para a destruída Tchecoslováquia, porém o
pai de Ricardo resolveu ficar na Rússia,
trabalhando como ferreiro. Casou-se com uma
mulher russa na cidade de Swerdlowsk na
Sibéria.
Ricardo e seus irmãos nasceram nesta fria
cidade do norte. Os negócios iam bem, pois
o comunismo demorou mais de uma década a
chegar com suas novas leis na distante
Sibéria.
Já no final da década de vinte o governo
russo começou a tomar conta de todas
atividades da iniciativa privada, sufocando
qualquer possibilidade de bons negócios.
Nesta época a família Webera conseguiu
através de ajudas da embaixada deixar a Rússia
e voltar para a Tchecoslováquia. Após a
Segunda Guerra Mundial Ricardo com o auxílio
de alemães foi morar em Berlin, cidade onde
foi aprendiz de jardineiro e concluiu os
estudos. Mudou-se para o Brasil praticamente
com a roupa do corpo. Acabou chegando por
acaso na cidade de São Bento do Sul/SC,
onde os idiomas falados eram o alemão e o
polonês. Além destes Ricardo também
dominava o russo e o Tcheco. A língua foi
um dos fatores que facilitou a adaptação
de Ricardo. Na região de São Bento do Sul
existe uma facilidade natural para o
desenvolvimento de camélias, coníferas e
outras plantas de clima temperado. Ricardo
dominava muito bem as técnicas de
jardinagem e conhecia os segredos da
multiplicação destas espécies. Ele
trabalhou arduamente para conseguir ter a
sua própria Floricultura.
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