Mais uma febre que surgiu foi a das Nozes Pecan - a árvore da riqueza - que era procurada por muitas pessoas. Nós compramos uma chácara que hoje é usada pela Floricultura, nas quais plantei mudas de Pecan para serem usadas como cavalos para enxertia . Estas mudas consegui com o velho amigo Roedl que naquela época cuidava do Parque Zoológico nos arredores da cidade de Blumenau. Visitei um plantador de nozes graúdas na cidade de Guaporé que era muito amável e cultivava diversas espécies como a Moneymaker, Success e outras. Na época da enxertia meu sobrinho Alceu ensinou ao meu ajudante Erno as técnicas mais adequadas para realizar este trabalho e trouxe também o material para fazer os enxertos. Assim eu tinha agora mudas de árvores enxertadas que num prazo de um ano poderiam fornecer material para novas enxertias. Vendemos muitas mudas desta árvore que nos parecia promissora. Depois de alguns anos apareceu uma doença fúngica. As folhas escureciam, encrespavam e as frutas em grande parte não chegavam a desenvolver-se plenamente. Acho que era a mesma praga que destruiu entre 1956 e 1960 quase todas as árvores solitárias da noz européia Juglans Régia. Nas duas situações somente sobreviveram e se desenvolveram as mudas das nozes Pecan pequenas e sem enxertia. O problema é que seus frutos são muito pequenos, sua casca muito dura e a parte comestível quase insignificante.

 

Estas foram as febres pelas quais passei com a Floricultura. Antes já haviam passado as febres do Marmelo Japonês, do Tungue e das Oliveiras. Sempre com grandes perspectivas de sucesso e depois a realidade que, normalmente, era não tão promissora como se previa.

 

Mencionei anteriormente a família Seeger de Estância Velha que eram fornecedores de mudas. Com o passar do tempo fui conhecendo cada vez mais jardineiros principalmente da região da colonização alemã. Muitos cultivavam plantas de cobertura de solo, flores e as mais simples folhagens. Mas alguns eram experientes jardineiros como o amigo Ahner que cultivava em Porto Alegre e em Gramado diversas espécies, inclusive devemos a ele a introdução do cultivo das flores anuais em nosso meio. Ele viveu um trágico destino. Antes da Segunda Guerra Mundial era empregado de um Banco Alemão e voltou para a Alemanha para tentar um tratamento para uma grave enfermidade que atacava a sua esposa. Esperava ter melhores condições de tratamento lá. O filho mais velho ficou aqui no Brasil enquanto os gêmeos, que eram mais jovens, acompanharam os pais. Veio a guerra e os dois jovens morreram em combate. Como se não bastasse, a esposa faleceu. O Sr. Ahner fez cursos de técnico em jardinagem e depois voltou para o Brasil. Encontrou trabalho nas grandes plantações de frutas da fábrica de doces Ritter. Acabou casando com uma filha da família Ritter. Depois do casamento adquiriram uma chácara em Gramado e uma casa com um enorme jardim nos arredores de Porto Alegre. Deste casamento nasceram uma filha e um filho. O menino depois de estudar durante um ano nos Estados Unidos voltou e acabou suicidando-se com 16 anos de idade durante uma crise depressiva, provavelmente causada pela dependência de drogas.

 

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