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Esta
história começa com a chegada do imigrante
russo Georg Sobestiansky ao Brasil nos idos
de 1950. A narrativa é feita em primeira
pessoa por tratar-se de um texto do próprio
Sr. Georg.
Chegamos
em 1950 ao Brasil e viemos morar em Caxias
do Sul. No princípio trabalhei com muito
gosto na agricultura. Depois consegui um
emprego em uma fábrica de madeira
compensada, a Gethal, onde comecei como operário
e cheguei a chefe de seção. Logo no início
percebi que com o salário de operário
poderia viver, porém não poderia sonhar em
melhorar significativamente. Ganhei da fábrica
uma casa de madeira para morar com um grande
terreno. Depois de uma jornada de mais de
oito horas diárias de trabalho ia para casa
cultivar minha horta. Naqueles tempos
remotos em Caxias do Sul a oferta de
verduras era escassa e as mais apreciadas
eram o repolho, o radicci e no verão o
tomate. Logo meus canteiros estavam prontos
e as sementes que minha sogra mandara da
Alemanha Oriental foram plantadas. As
sementes eram produzidas nas fábricas
Chrestensen, Erfurt e aqui no Brasil a
Corsetti já vendia algumas sementes de
hortaliças.
Minha
produção era principalmente de verduras
tradicionalmente usadas pelos alemães e
meus primeiros clientes foram os chefes da fábrica.
Eles gostavam muito de espinafre, cenoura
tenra, alho poró e vagens. Com minha
bicicleta fazia as entregas de tomates,
couve-flor e outras verduras no armazém da
D. Odila que comprava quase toda minha produção.
Meu produto principal era o couve-flor.
Lembro-me que uma geada no dia 1º de maio
destruiu uma safra inteira causando um
enorme prejuízo.
Naquela
época não haviam técnicos com profundos
conhecimentos neste tipo de culturas, mesmo
eu tinha um conhecimento superficial. Por
isto fazia experiências diversas para
sempre melhorar a produtividade e a
qualidade dos meus produtos. Para compor o
substrato usava cinza de madeira que recebia
de graça da fábrica, terra preta que tinha
à vontade e comprava ainda calcário e
adubo.
Nesta
época carregava de manhã bem cedo a minha
bicicleta e fazia as entregas no armazém do
Mauri e mais dois outros que já haviam
ficado meus fregueses.
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